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Título: A Terra Santa
Autor(a): Pe. Máikol
 
 

A Terra Santa

De 11 de setembro a 15 de outubro de 1997, o 16º Retiro-Peregrinação à Terra Santa e Santuários Europeus. Lá se foram 41 brasileiros, liderados pelo Pe. Afonso de Santa Cruz, da Genesaré Tours, de Curitiba-PR. Não é uma viagem de turismo, e sim, um retiro espiritual, no qual se medita a Sagrada Escritura, se reza..., ao sabor da emoção de se estar pisando as mesmas pedras que Jesus pisou, de se beber da mesma fonte de água que Maria de Nazaré bebeu, ou de se percorrer os mesmos caminhos que os grandes santos da Igreja percorreram.

A "Terra Santa" é a Palestina do tempo de Jesus; hoje um país moderno, chamado Israel. Graças ao avião, é possível ir do Brasil a Israel com mais ou menos 15 horas de vôo, com escala em Roma ou Lisboa. Quem vai a primeira vez, se converte; e quem foi uma vez, não se contenta enquanto não repetir a viagem. No grupo de peregrinos/97 havia uma senhora que viajava pela 7ª vez; uma outra, pela 11ª vez. É uma viagem de muita fé e esperança. Sabendo que tudo neste mundo passa, o peregrino aprende a valorizar o mundo espiritual e faz a experiência do convite de Deus: "Sai da tua terra e vai..."

No começo do ano, eu recebi pelo correio o envelope da Genesaré Tours, com os prospectos do 16º Retiro-Peregrinação. Havia um grande cartaz que eu devia colocar no quadro-mural da Igreja Santa Rita de Cássia. Me dirigi à Igreja. Enquanto eu colocava a fita crepe no cartaz, nos fundos da Igreja, olhei para frente. São José, em seu pedestal, com o Menino-Deus nos braços, sorriu para mim. É verdade. Eu disse a São José: "Olhe, eu gostaria muito de participar desta peregrinação, mas com o meu salário de pároco é impossível..." Porém, quando faltavam 10 dias para o embarque, o pessoal da Genesaré Tours me telefonou, dizendo: "Padre Máikol, São José financiou a sua viagem." Lembrei-me da cena de colar o cartaz no fundo da Igreja... Só deu tempo de encaminhar algumas atividades da paróquia, pegar a câmera filmadora e entrar no avião.

Tornei-me devoto do Santo: "São José não falha!" Visitei a carpintaria dele em Nazaré. Impressionei-me com a estátua de bronze, em tamanho natural, que está na Gruta do Leite, mostrando a Sagrada Família na fuga ao Egito. Se dependesse de mim, eu convocaria um concílio, com a finalidade de incluir o nome de José na Profissão de Fé, "Creio em Deus Pai todo-poderoso... em José, o pai adotivo de Jesus... Amém." E eu daria um jeito de tirar o nome do safado do Pilatos do credo.

Eis os lugares santos visitados:

8 Monte Carmelo - A viagem à Terra Santa começa no Monte Carmelo, na gruta do profeta Elias; as monjas carmelitas fazem custódia à gruta de Elias, profeta que viveu pelo ano 800 AC. Viajando ao passado histórico, é possível encontrar o poço de Jacó (1400 AC) e o Monte Sinai, onde Moisés recebeu o decálogo pelo ano 1250 AC. Fazendo a ponte com o Novo Testamento, em Jerusalém, no Monte Sion, está a casa que pertenceu a Joaquim e Ana, os pais de Maria de Nazaré; por isso, Maria, a filha de Sion.

8 Nazaré - Um lugar santo que faz perder a fala, devido à emoção, é a Basílica da Anunciação, em Nazaré. No subsolo, a casa de pedra que pertenceu a Maria. No local exato onde o arcanjo Gabriel apareceu a ela está escrito: "Verbum caro hic factum est" - aqui o Verbo se fez carne. Quem olha a cúpula da basílica de baixo para cima, tem a impressão de que o "sim" de Maria se projeta dali para todos os cantos da terra. Nas paredes da basílica, o retrato de Fátima, Lourdes, Guadalupe, Czestochova, Japão, Aparecida... A poucos passos da basílica, a Igreja da Carpintaria de São José. E mais adiante, a única fonte de água de Nazaré, da qual beberam Maria, José e Jesus; todo peregrino bebe naquela fonte.

8 Ein-Kerem - Ein-Kerem, uma cidade pouco conhecida porque nos Evangelhos não se fala dela; fica perto de Jerusalém. Ali moravam Zacarias e Isabel, os pais de João Batista. Há uma fonte de águas cristalinas da qual a família bebia. A Basílica da Visitação ostenta na fachada frontal uma pintura do encontro de Maria de Nazaré com Isabel; nos muros, "O Senhor fez em mim maravilhas...", escrito em muitas línguas. Dentro da Igreja de São João Batista, o local exato onde o profeta nasceu; e nos muros, o "Bendito seja o Senhor Deus de Israel porque visitou e libertou o seu povo...", em muitas línguas.

8 Belém - Basílica da Natividade, Gruta do Leite, Gruta dos Pastores... Belém significa "casa do pão". Todo peregrino se ajoelha e beija uma estrela dourada de 14 pontas que indica o lugar da manjedoura de Jesus. Depois da visita dos pastores e dos magos, Maria se refugiou na Gruta do Leite para amamentar Jesus; e então, a fuga ao Egito. Os mais lindos presépios do mundo estão nas lojas de Belém. E na época do Natal, centenas de corais entoam o "Noite Feliz".

8 Monte das Tentações - o Menino-Deus cresceu em idade e sabedoria. Aos 12 anos, desafiou os Doutores da Lei do Templo de Jerusalém. Com mais ou menos 33 anos de idade, subiu ao Monte que fica ao lado de Jericó; ali orou e jejuou 40 dias. Hoje, um mosteiro encravado no paredão de rocha recorda as três tentações de Jesus. Descendo do Monte das Tentações, Jesus foi ao Jordão.

8 Rio Jordão - são mais ou menos 10 metros de largura. O rio começa mais largo, no Lago de Genesaré, do que termina, no Mar Morto. No lugar onde Jesus foi batizado por João Batista, todo peregrino faz questão de ter a água derramada na cabeça. Cantou-se o "Prometi no meu Santo Batismo". Em frascos caracterizados, cada peregrino leva água do Jordão para sua casa.

8 Mar de Tiberíades - ou Lago de Genesaré, 12 X 21 km, fundura de 40 a 50 m. Um antigo vulcão, 210 metros abaixo do nível dos outros mares. Na travessia de Tiberíades para Cafarnaum, Jesus acalmou a Tempestade. Ali aconteceu a pesca milagrosa. Até hoje, o peixe de São Pedro é servido à saciedade nos restaurantes da cidade de Tiberíades; pescador que sou, sei que se trata de uma tilápia bem saborosa! Nosso barco ancorou, rezamos a Missa ao som do "Tu, vieste à margem do lago..."

8 Cafarnaum - a cidade de Jesus. A casa de Pedro, o pescador da Galiléia. Passando pela praia, disse Jesus: "Vem e segue-me." Seguiram-no Pedro e André, Tiago e João, os primeiros discípulos. Em Cafarnaum, Jesus curou a sogra de Pedro; hoje, sobre as ruínas da casa, uma bela Igreja. A poucos metros, as ruínas da sinagoga na qual Jesus ensinava. Ali Jesus curou um leproso. Mais adiante, uma grande pedra; metade na água, metade dentro da Igreja do Primado de Pedro: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja". Mesmo negando Jesus por três vezes, Simão Pedro foi o primeiro Papa. Na "Mensa Christi", Jesus ressuscitado comeu peixe assado e um favo de mel, depois da ressurreição. A pedra está lá: ver para crer.

8 Caná da Galiléia - com os primeiros discípulos, Jesus e sua mãe foram ao casamento de São Judas Tadeu, o primo de Jesus. "Eles não têm mais vinho...", diz Maria. O servo encheu com água do poço as seis talhas de pedra que estão lá até hoje. O melhor vinho da região, o primeiro milagre de Jesus! Todo casal, marido e esposa, renova ali a fidelidade conjugal. E todo padre reza ali pelos casais cujo casamento abençoou ou que ainda vai abençoar. Na loja de souvenirs, é obrigatória uma garrafa de vinho de Caná.

8 Tabgha - Quem gosta, volta! Volta e meia, Jesus voltava para Cafarnaum. Ao lado esquerdo da Casa de Pedro e da Igreja do Primado, o "heptapegon", isto é, as sete fontes. Em meio às fontes, uma multidão faminta. Cinco pães e dois peixes: a multidão saciada milagrosamente. No piso do santuário, um mosaico do século I com 5 pães e 2 peixes. Nenhum peregrino fala nada: reza, emociona-se e lembra-se do "Eu sou o pão vivo descido do céu; quem deste pão se alimentar terá a vida eterna", testemunhado pela lamparina vermelha ao lado do sacrário da igreja de cada paróquia. Confira o Evangelho de João, 6.

8 Monte das Bem-Aventuranças - casa de Pedro, igreja do primado, Tabgha, Igreja das Bem-Aventuranças. Trajeto para uma hora, à pé. Na igreja, 8 paredes, 8 vitrais, 8 bem-aventuranças. Qual é a sua bem-aventurança predileta? É o Sermão da Montanha, Mateus 5-7. A custódia do Monte das Bem-Aventuranças pertece às irmãs franciscanas.

8 Jericó - é a cidade mais antiga do mundo. "Hir Shikov" significa cidade perfumada. Jericó surgiu pelo ano 9000 AC graças a uma fonte de água em meio ao deserto da Judéia; a fonte sempre esteve no centro da cidade. Vários povos dominaram Jericó, revela a arqueologia. Josué conquistou Jericó pelo ano 1200 AC. Hoje, Jericó está sob o domínio dos Palestinos de Yasser Arafat. Disse Jesus a Zaqueu: "Desce do sicômoro, hoje quero estar na tua casa". O baixinho de Jericó se converteu. Os peregrinos da Genesaré Tours tiveram celebração eucarística na Igreja de São Francisco. Depois, um farto almoço com as famosas frutas de Jericó.

8 Mar Morto - na verdade, um antigo vulcão; na lenda bíblica, as cidades de Sodoma e Gomorra castigadas por Deus, com enxofre e fogo, no tempo de Abraão. O Mar Morto está 430 metros abaixo do nível dos oceanos; por isso, em suas margens, temperaturas de até 45º centígrados. A água, que se parece com uma gelatina, é tão densa de sódio, cloro, cálcio, magnésio e potássio que faz o corpo humano boiar extraordinariamente. A mulher de Lot, que virou estátua de sal, está lá até hoje..., aliás, são milhares de estátuas de sal esculpidas pelas ondas e pelo vento, entre o verão (julho) e o inverno (dezembro).

8 Qumran - Na época de Jesus, as grutas de Qumran eram habitadas pelos monges essênios; Qumran fica perto do Mar Morto. Pelo ano 70 DC, os romanos invadiram a Palestina, matando e dispersando os judeus. Na fuga dos romanos, os essênios deixaram seus pergaminhos escondidos em potes de barro nos fundos das grutas. No dia 29 de novembro de 1947, um pastor chamado Mohamed Edib descobriu esses pergaminhos ao resgatar uma cabra que havia caído numa das Grutas de Qumran; e os revendeu a um sírio cristão chamado Khalil Kando. Kando revendeu os pergaminhos ao arcebispo de Jerusalém que, por sua vez, nos Estados Unidos os revendeu ao professor Yigael Yadin. Na verdade, esses escritos eram textos completos do Antigo Testamento. Hoje esses pergaminhos estão no Santuário do Livro, em Jerusalém.

8 Massada - No Monte de Massada, perto de Qumran e do Mar Morto, estão as ruínas da Fortaleza de Herodes. O Monte se parece com uma gigantesca torre redonda, com paredões de rocha bem íngremes, impossíveis de escalar sem a ajuda de instrumentos. O topo de Massada é bem plano, a 700 acima do Mar Morto. Pelo ano 40 AC, Herodes construiu ali uma fortaleza para se proteger dos povos inimigos. Na fortaleza havia provisão de água e comida para muitos anos; havia piscina, refeitório, sinagoga, armas... Pelo ano 70 DC, as legiões romanas já haviam destruído Jerusalém e arrasado a Palestina toda. O último foco de resistência estava no Monte Massada; ali havia 960 judeus, liderados por Eleazar Bem Yair.. Um general romano, de nome Silva, recebeu a tarefa de conquistar Massada. Elezar resistiu por vários meses. Percebendo a impossibilidade de resistir, convenceu todo seu grupo para todos se suicidassem. Foram escolhidos 10 homens para que cada um matasse 100 outros; depois, dos 10 homens um foi escolhido para para matar os outros 9 e, para, finalmente se suicidar. Quem sobrou para contar essa história foram 2 mulheres e 5 crianças que se esconderam por ocasião do suicídio e foram encontradas pelos romanos.

8 Monte Tabor - O Evangelho de Lucas (9, 28-36) descreve o fato da Transfiguração de Jesus: Jesus, levando consigo Pedro, Tiago e João, subiu a um alto monte da Galiléia. Trata-se do Monte Tabor, que se eleva 588 metros acima da planície, oferecendo uma visão magnífica das aldeias e lavouras do Vale de Jezrael. O cume do monte tem 1 km de comprimento por 400 m de largura. Ali está plantada a Igreja da Transfiguração, na qual há um belíssimo mosaico mostrando o diálogo entre Jesus, Moisés e Elias. Ao lado da Igreja, um mosteiro dos franciscanos. No passado histórico de Israel, o Tabor servia de fronteira entre as dez tribos do Reino do Norte e as duas do Reino do Sul. Já o Salmo 89, 13 dizia: "Os montes Tabor e Hermon cantam o teu nome, Senhor."

8 Naim - No sopé do Monte Tabor, há duas aldeias árabes: Daburieh e Naim. Daburieh é famosa porque ali habitou a profetisa Débora, a qual predisse a importante vitória de Baraque sobre o exército cananeu de Sísera (Juízes 4, 6). Naim aparece no Evangelho porque Jesus ressuscitou ali o filho de uma viúva pobre. Curiosidade: Naim é uma vila muito pobre, habitada por árabes muçulmanos; não mora ali nenhuma família cristã. Porém, em Naim há uma Igreja Católica muito significativa: a pintura principal retrata a ressurreição do filho da viúva de uma forma muito expressiva. Sabe-se que Jesus operou esse milagre quando estava subindo a Jerusalém para morrer e ressuscitar. A chave da igreja de Naim está confiada a duas senhoras muçulmanas, que também se encarregam de cuidar desse lugar santo. E o peregrino se depara com dezenas de crianças pedindo da vila a pedir um shequel, dinheiro de Isarel.

8 Betânia - Jerusalém fica bem no alto. No caminho de Jericó a Jerusalém fica a aldeia de Betânia. Toda vez que Jesus subia de Jericó a Jerusalém, ele se hospedava na casa de Marta e Maria, irmãs de Lázaro. Numas dessas viagens, Lázaro estava morto havia quatro dias; Jesus o ressuscitou, prefigurando seu próprio Calvário e ressurreição. O túmulo de Lázaro pode ser visitado até hoje; é necessário descer 22 íngremes degraus para se chegar ao local onde estava o corpo de Lázaro. Ao lado do túmulo, uma bonita Igreja em forma de túmulo, cuidada pelos franciscanos. E como é praxe, ao lado da igreja católica, uma mesquita muçulmana, porque os árabes também se acham donos dos lugares santos.

8 Jerusalém - em hebraico, "Yir Shalaim", em português, "Cidade da Paz". Porém, nada de paz! Em Jerusalém coabitam quatro povos historicamente inimigos. Inimigos pela política, pela economia, pela língua e pela religião. 1) Judeus - aqueles que seguem a Lei de Moisés e a Torah; muitos deles são fanáticos, usam terno preto e cartola preta. 2) Árabes - consideram-se descendentes de Ismael, um dos filhos de Abraão; seguem a religião do Islamismo, fundado por Maomé. 3) Palestinos - liderados por Yasser Arafat; descendentes dos antigos habitantes de Canaã, desde antes da chegada dos Israelitas; o território dos Palestinos restringe-se à cidade de Jericó, a faixa de Gaza e alguns quarteirões em algumas cidades. 4) Cristãos - são a minoria; estão em Israel por motivos religiosos e culturais. A maior parte dos "Lugares Santos" católicos está sob o domínio dos árabes e dos Judeus. Em Israel se fala hebraico, árabe e inglês; mas, uma palavra é comum a judeus e árabes: dólar! O "Sheqel", dividido em 100 "Agarots" às vezes é recusado. Curiosidade: as línguas hebraica e árabe são escritas da direita para a esquerda, em caracteres totalmente diferentes dos que o leitor está vendo aqui. Em Jerusalém, há três dias santificados por semana: os muçulmanos "folgam" na sexta-feira, os judeus "guardam" o Shabat e os cristãos "santificam" o domingo.

8 Jerusalém: Cidade Antiga - Os Israelitas, liderados por Josué, conquistaram Jericó pelo ano 1250 AC. Em seguida, os Filisteus de Creta também invadiram Canaã, donde surgiu o nome "Palestina". Pelo ano 1000 AC, o rei David conquistou a colina de Jerusalém, derrotando os cananeus. E o rei Salomão construiu o Templo pelo ano 950 AC. Para se defender dos povos inimigos, David e Salomão construíam os muros da Jerusalém antiga, protegendo o templo, o palácio, a corte e as habitações. Jerusalém fica bem no alto; por isso, de todos os cantos de Israel se diz: "Vamos subir a Jerusalém!" Todo peregrino deve observar um ritual: ao avistar Jerusalém, contemplá-la de longe e brindá-la com uma taça de vinho. Foi nessa circunstância que Jesus exclamou: "Jerusalém, Jerusalém, dias virão em que não sobrará pedra sobre pedra."

8 Jerusalém: Gruta dos Apóstolos - a gruta situa-se no Jardim das Oliveiras. Na verdade, é um antigo moinho de azeite de olivas, que pertenceu a Marcos, o evangelista. Em hebraico, Getsê = azeite, mani = moinho. Imagine: Marcos era dono de boa parte do Jardim das Oliveiras. Para extrair o óleo das azeitonas, ele possuía um moinho que esmagava as frutinhas. Para recolher o óleo extraído, ele aproveitou uma gruta subterrânea e ampliou-a. Durante o dia, os empregados trabalhavam na gruta. À noite, a gruta estava vazia. Por isso, toda vez que Jesus subia a Jerusalém com seus apóstolos, o grupo passava a noite na gruta do Getsêmani de Marcos. Depois da morte de Jesus, muitos peregrinos passavam a noite no Getsêmani de Marcos. E ele ficava explicando aos peregrinos tudo o que sabia sobre a vida de Jesus. Entediado de repetir a mesma historinha, Marcos, que era empresário e não apóstolo, decidiu escrever tudo o que ele sabia sobre Jesus. Nasceu aí o Evangelho de Marcos. E a gruta foi denominada de Gruta dos Apóstolos, hoje uma igreja franciscana.

8 Jerusalém: as muralhas - As muralhas de Jerusalém, como os turistas as podem ver hoje, são uma soma de diferentes períodos de construção, no decorrer dos séculos. Foi no reinado de Suleimã, o Magnífico, em 1542, que os Muros de Jerusalém adquiriram sua forma atual. Nas muralhas, de aproximadamente 3 km de comprimento e 13 metros de altura, há 34 torres e 8 portas: ao Norte, a Porta Nova, a Porta de Damasco e a Porta de Herodes; ao Leste, a Porta de Santo Estêvão e a Porta de Ouro (fechada pelos Turcos em 1530); ao Sul, a Porta do Lixo e a Porta de Sião; ao Ocidente, a Porta de Jafa. A parte mais alta do Muro é conhecida como o Pináculo do Tempo, cuja altura se eleva a 70 metros. Nas muralhas de Jerusalém, há muitas "agulhas", isto é, na parte interna do muro, há entrâncias triangulares que servem para rechaçar os inimigos, com flechas ou fuzis. A Porta do Lixo está marcada por impressionantes rajadas de metralhadora.

8 Jerusalém: Muro das Lamentações - também chamado de Muro Ocidental. É o lugar mais sagrado dos judeus, pois é a única relíquia do útlimo Templo de Jerusalém, construído por Herodes no ano 20 AC; na verdade, trata-se de uma parede da muralha construída ao redor do templo. No ano 70 DC, quando da destruição de Jerusalém, o imperador romano Tito deixou de pé esta parte da muralha, com seus enormes blocos de pedra, a fim de mostrar às gerações futuras a força dos soldados romanos que foram capazes de destruir todo o resto das edificações judaicas. Durante o período bizantino, não era permitida a entrada dos judeus em Jerusalém, a não ser, uma vez por ano, no aniversário da destruição do Templo, ocasião em que lamentavam a dispersão do povo judeu e choravam sobre as ruínas do Templo Sagrado; daí o nome dado a esta parte da muralha: "Muro das Lamentações". O costume de rezar junto ao Muro continuou no decorrer dos séculos. Entre 1948 e 1967, o acesso ao Muro foi novamente proibido aos judeus, já que ele se encontrava na parte jordaniana da cidade. Depois da Guerra dos Seis Dias, o Muro das Lamentações converteu-se em um lugar de júbilo nacional e de culto religioso. Hoje-em-dia, os judeus ortodoxos (sobretudo preto, chapéu-fundo preta, barba), passam o dia todo guardando o Muro das Lamentações. Qualquer peregrino - homem ou mulher - pode se aproximar do Muro, desde que se identifique com seu passaporte. No Muro Ocidental, os judeus costumam ler os Salmos e a Lei de Moisés, sempre num movimento inclinatório de vai-e-vem.

8 Jerusalém: Mesquitas - Maomé (570-652) fundou o Islamismo, conferindo-lhe por capital a cidade santa de Meca, na Arábia. O Islamismo é monoteísta, chamando a Deus de Alá; a Bíblia deles é o Alcorão. Os árabes se consideram descendentes de Ismael - filho de Abraão - e da escrava egípcia Agar (Gn 16); por isso, irmãos dos judeus. No corpo de doutrina do Islamismo, figura o mandamento da Guerra Santa; para os islamitas - ou muçulmanos - morrer/matar na guerra significa "ir diretamente ao céu". Depois da destruição de Jerusalém no ano 70 DC, a Palestina ficou desabitada por muito tempo. No ano 636, os muçulmanos conquistaram Jerusalém. Aí, os reis católicos da Europa organizaram as Cruzadas, para reconquistar os Lugares Santos. Tarde demais: os árabes já tinham construído suas mesquitas sobre alguns lugares significativos. Por exemplo, em Jerusalém, a mesquita de Omar está construída exatamente sobre a rocha do Monte Moriah, no qual Abraão havia oferecido em sacrifício o seu filho Isac. E é bem neste local que estava o templo construído por Salomão, destruído em 587 AC por Nabucodonosor e reconstruído por Zorobabel. O templo que Jesus conheceu foi construído por Herodes, a partir de 20 AC, e destruído por Tito no ano 70. Em 691, o califa Abdel el Malik Ibn Mervan iniciava a construção da atual mesquita que é conhecida como Mesquita de Omar, com sua cúpula de 25 metros, feita de ouro maciço. Ao lado dela, na antiga Esplanada do Templo, a Mesquita de El-Aksa, construída pelo califa El-Walid, sobre o antigo Palácio de Salomão. No trajeto que vai entre as duas mesquitas, há uma fonte de água para as abluções rituais. Quando o muezim (trombeta) convida para a oração, na Mesquita de El-Aksa há orações comunitárias, ao passo que na Mesquita de Omar, só orações individuais. O turista pode entrar na mesquita, desde que esteja descalço e com o corpo bem coberto.

8 Jerusalém: Pai-Nosso - Ensinou Jesus: "Quando orardes, dizei: Pai nosso que estais nos céus..." (Mt 6, 9-13). Dentre as muitas orações cristãs que existem, o Pai-Nosso é a mais bonita e a mais completa de todas. No alto do Monte das Oliveiras, em Jerusalém, um gruta sagrada testemunha que foi ali que Jesus fez os discípulos decorarem o Pai-Nosso. Talvez, algum dos discípulos teve a idéia de escrever na parede a oração ensinada por Jesus. Por isso, hoje, o Pai-Nosso está escrito nas paredes em mais de 100 idiomas. A primeira Igreja construída junto à gruta do Pai-Nosso foi edificada pelo convertido Imperador Constantino, pelo ano 325. Os persas destruíram-na em 614. Os Cruzados reconstruíram-na no Século XII. Expulsos os Cruzados, o local foi tomado pelos muçulmanos. Em 1868, a Princesa Aurélia de Bossi de la Tour d’Auvergne comprou este Lugar Sagrado; fez construir ali um Convento Carmelita. Em seguida, doou o local ao governo da França que deveria edificar ali uma basílica em honra do Sagrado Coração de Jesus, obra, porém, que fracassou. Os restos mortais da Princesa Aurélia repousam dentro do Convento. Confusões históricas à parte, o Pai-Nosso chama a Deus de Pai e traz a mensagem de que os homens são todos irmãos, filhos do mesmo Pai. E você, leitor, já recitou o Pai-Nosso hoje?

8 Jerusalém: Dominus Flevit - Em Lucas 19, 41, o médico-evangelista diz que quando o Mestre chegou perto de Jerusalém, ele chorou. Em Latim, "Dominus Flevit", em brasileiro, "O Senhor chorou". Chorou porque Ele estava a profetizar a destruição de Jerusalém. A profecia se cumpriu no ano 70, quando os Romanos não deixaram pedra sobre pedra. Jesus chorou quando da sua entrada triunfal em Jerusalém, dias antes de sua morte e ressurreição. Naquela ocasião, o povo O aclamava com Hosanas, jogando ramos de oliveira no caminho e estendendo os mantos para que Jesus os pisasse. A primeira capela do "Dominus Flevit" foi erigida no século XII pelos Cruzados. A capela atual foi edificada em 1891 e tem a forma de uma lágrima. Quem está dentro da Capela e olha para o altar, vislumbra atrás do altar uma grande janela que mostra AO VIVO a cidade antiga de Jerusalém. A armação de ferro da janela mostra um trançado de espinhos e o cálice da Eucaristia. O peregrino que está nas imediações da Igreja "Dominus Flevit", também chora, até porque a Capela está ladeada por flores cujo aroma induz à lágrima.

8 Jerusalém: Jardim das 8 Oliveiras - a árvore da oliveira não morre, pois ela sempre se renova com brotos saem em seu tronco ou a partir das raízes. A oliveira produz olivas, num português coloquial, azeitonas! Das olivas é que se extrai o azeite que dá sabor aos alimentos. No Jardim das Oliveiras, há 8 árvores que foram plantadas no tempo de Salomão, em 1000 AC. Ao lado delas, a Rocha da Agonia, sobre a qual foi construída a Basílica do Getsêmani; o Getsêmani (moinho de azeite) de Marcos situa-se ao lado das 8 Oliveiras. Após a Santa Ceia, Jesus foi ao Jardim das Oliveiras. Tomando consigo Pedro, Tiago e João, recomendou-lhes: "Vigiai e orai." Eles adormeceram. Aí apareceu a comitiva de Judas. As 8 Oliveiras ouviram o estalido do beijo traidor de Judas e o ecoam até os nossos dias. Quando os romanos destruíram Jerusalém no ano 70, por ordem do Imperador Tito, todas as oliveiras deveriam ser cortadas; as 8 Oliveiras, milagrosamente, se salvaram. Hoje, os botânicos afirmam que elas têm mais de 3000 anos. Quem cuida com muito carinho das 8 Oliveiras são os franciscanos. Eles construíram nas imediações alguns "romitágios", isto é, grutinhas ou apartamentos, onde o peregrino pode se hospedar e fazer o seu retiro espiritual, em silêncio. Do grupo de peregrinos brasileiros da Genesaré Tours, de Curitiba-PR, alguns deles já fizeram essa experiência de ficar ali 8 dias em retiro; inclusive o redator destas palavras... As oliveiras são mudas, mas elas falam.

8 Jerusalém: Basílica do Getsêmani - a basílica foi edificada exatamente por sobre a Rocha da Agonia. O Evangelho diz que ali Jesus anteviu o sacrifício do Calvário, enquanto suava sangue. A Rocha da Agonia recolheu as lágrimas e o sangue de Jesus e é testemunha da frase: "Pai, se queres, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade e sim a tua." (Lc 22, 42). A primeira basílica do Getsêmani foi construída no ano de 379 e destruída pelos persas em 614. Os Cruzados, no século XII, reconstruíram-na, porém, logo em seguida os árabes demoliram-na. A atual basílica foi edificada de 1919 a 1924. Chama-se Basílica das Nações porque foram 16 países que contribuíram para a obra; no interior da basílica, os 16 brasões das respectivas nações. As cúpulas da igreja são decoradas com lindos mosaicos; as janelas são de alabastro translúcido. A luz filtrada pelas janelas convida à meditação. A fachada externa mostra as estátuas dos quatro evangelistas e, mais acima, um mosaico que representa Cristo oferecendo ao Pai o seu sofrimento. Se há lugares santos que induzem o peregrino à alegria e ao regozijo, a igreja do Getsêmani induz à consternação e ao pavor.

8 Jerusalém: Gallicantu - Os relatos históricos contidos nos evangelhos dão conta de que Jesus, depois de traído por Judas no Jardim das Oliveiras, foi conduzido preso ao palácio do sumo-sacerdote Caifás. Ali, Jesus ficou preso até à madrugada. O apóstolo Pedro havia ficado do lado de fora do palácio e ouviu o "Canto do Galo" - gallicantu - que o mestre havia predito: "Antes que o galo cante, me negarás três vezes" (Mt 26, 34). Por isso, a igreja construída junto ao palácio de Caifás chama-se "Gallicantu", construída em 1931, pelos padres Agostinhos da Assunção. Eles fizeram muitas escavações arqueológicas no local e encontraram o fosso (prisão) no qual Jesus ficou detido, a escada pela qual Jesus subiu para ser julgado por Caifás, moedas hebraicas antigas e o alojamento dos serventes. No pátio da igreja, um belo conjunto de estátuas em bronze mostra a cena na qual Pedro diz a uma empregada que não conhece a Jesus; no alto, o galo a cantar. No tempo de Jesus, esse local ficava dentro dos muros de Jerusalém, por hoje está fora deles.

8 Jerusalém: Via Dolorosa - todo peregrino católico que vai a Jerusalém sonha em percorrer a Via Dolorosa, isto é, o caminho pelo qual Jesus carregou a cruz. A tradição canonizou 14 estações da Via-Sacra: a 1ª Estação situa-se no Pretório, onde Jesus foi condenado à morte por Pôncio Pilatos; a 14ª Estação situa-se no Santo Sepulcro. A reza da Via-Sacra tradicional baseia-se em 9 estações descritas nos Evangelhos e em mais 5 provenientes de testemunhos orais. As 2 primeiras estações estão localizadas dentro da Fortaleza Antônia; as 7 seguintes, nas ruelas da Cidade Antiga de Jerusalém; e as 5 últimas, dentro da Basílica que abriga o Calvário e o Santo Sepulcro. São elas: 1ª - Jesus é condenado à morte; 2ª - Jesus toma a cruz; 3ª - Jesus cai com o peso da cruz; 4ª - Jesus encontra sua mãe; 5ª - Simão de Cirene ajuda Jesus a carregar a cruz; 6ª - Verônica enxuga o rosto de Jesus; 7ª - Jesus cai pela segunda vez; 8ª - Jesus consola as mulheres chorosas; 9ª - Jesus cai pela terceira vez; 10ª - Jesus é despido; 11ª - Jesus é pregado na cruz; 12ª - Jesus morre na cruz; 13ª - O corpo de Jesus é descido da cruz e entregue a Maria; 14ª - Jesus é sepultado. Na Via Dolorosa, há alguns vestígios históricos: o "Litróstrotos", pavimento interno do Tribunal de Pilatos; o pórtico "Ecce Homo" de Pilatos sob o qual ele apresentou Jesus à multidão; a coluna na qual Jesus esteve amarrado na flagelação; a pedra do jogo-de-dados na qual os soldados sortearam a túnica de Jesus. Hoje, a maior parte da Via Dolorosa é um animado mercado de rua dos árabes.

8 Jerusalém: Calvário - A palavra "calvário" significa "caveira", "gólgota" em hebraico. No tempo de Jesus, o Monte Calvário ficava numa região desabitada, bem próxima à cidade. Quem olhasse para o monte, tinha a impressão de estar vendo uma caveira gigantesca. Na verdade, o Monte Calvário se eleva 15 metros acima da superfície do solo. E era ali que os sentenciados à cruz eram supliciados. No topo do Calvário havia uma espécie de estaleiro para dependurar os condenados. Provavelmente, Jesus carregou apenas o madeiro horizontal da cruz tradicional; e não eram usados pregos, e sim, Jesus foi amarrado ao madeiro. Uma vez amarrado, o madeiro foi suspenso no estaleiro. No Calvário, atualmente há uma imensa igreja que abriga duas capelas: uma, no local em que Jesus foi desnudado e preso ao madeiro da cruz, que pertence aos católicos; outra, no local da crucificação, que pertence aos gregos ortodoxos. Nos poucos metros que separam uma da outra, há um altar dedicado à Virgem Maria das Dores.

8 Jerusalém: Santo Sepulcro - é o lugar sagrado por excelência para os cristãos. Fica ao lado do Calvário, na época de Jesus, fora da cidade. O corpo de Jesus, descido da cruz, foi envolto num Sudário de 4 metros de comprimento, o qual existe até hoje e está guardado em Turim, na Itália. Desde a madrugada da ressurreição, o Santo Sepulcro era venerado. No ano 44, Herodes Agripa aumentou o perímetro de Jerusalém, estendendo os muros, de modos que o Calvário e o Santo Sepulcro ficaram dentro dos muros de Jerusalém. No ano 70, Jerusalém foi destruída. No ano 135, o Imperador Adriano mandou eliminar todos os vestígios das religiões hebraica e cristã; no local do Santo Sepulcro foi construído um templo dedicado a Júpiter. O mesmo ocorreu na gruta de Belém. Esses templos, providencialmente, serviram para reencontrar os lugares santos, na época de Constantino, imperador convertido graças às orações de sua mãe, Santa Helena. No ano de 324 foi erigida uma capela junto ao Santo Sepulcro; em 326, Constantino e Helena comandaram a edificação de uma basílica, destruída em 614 pelos persas. A Basílica atual foi construída pelos Cruzados em 1149. No interior, há uma parte dos católicos e uma parte dos ortodoxos, que se subdividem em armênios, bizantinos, sírios e coptas. Seis igrejas detêm a chave do templo do Santo Sepulcro: Católica romana, Ortodoxa grega, Armênia ortodoxa, Etíope, Egípcia copta e Síria. O peregrino pode passar a noite em oração dentro da basílica, sabendo que a porta só será reaberta pela madrugada.

8 Jerusalém: Ascensão - Os Atos dos Apóstolos narram que 40 dias após a ressurreição, Jesus apareceu aos discípulos, levou-os ao alto do Monte das Oliveiras, deixou as últimas recomendações e então subiu aos céus. Até hoje está preservada a pedra da qual Jesus ‘decolou’ rumo ao céu, deixando ali a marca do seu pé. Neste local, no século IV, foi construída uma igreja, que foi destruída pelos Persas em 614 e reconstruída pelos Cruzados no século XII. Hoje, a pedra da ascensão de Jesus está protegida por um templo árabe que tem a forma de um foguete espacial, isto é, uma torre pontiaguda.

8 Jerusalém: Cenáculo - O Cenáculo foi palco da Última Ceia e do envio do Espírito Santo. Situa-se no Monte Sião. É uma construção de pedra, com uma sala inferior e uma sala superior; essa, cheia de arcos. É lugar sagrado porque ali estiveram Jesus, sua mãe Maria e todos os apóstolos. Nos tempos apostólicos e dos primeiros cristãos, o Cenáculo era a capital mundial do cristianismo. A construção ficou intacta na destruição de Jerusalém do ano 70 e do ano 135 por estar fora da área de interesse militar e comercial; porém, foi destruída pelos Persas em 614 e reconstruída pelos Cruzados no século XII. Hoje, o Cenáculo é um templo muçulmano, com um nicho de orações em seu interior, a Mihrab, e um minarete do lado de fora. No entanto, o Cenáculo cumpre a profecia de Isaías: "De Sião sairá a lei e de Jerusalém a Palavra do Senhor". Foi no Cenáculo que Jesus lavou os pés dos discípulos e deixou a lei do "amai-vos uns aos outros". E foi no Cenáculo que 50 dias após a ressurreição os apóstolos receberam o Espírito Santo e saíram a pregar o Evangelho. No tempo de Jesus, o Cenáculo era uma sala comum de refeições; uma espécie de sala de jantar de alguma pessoa mais ou menos rica e amiga de Jesus. A própria palavra "Cenáculo" em latim, quer dizer refeição. Depois da morte de Jesus, os Apóstolos e primeiros cristãos costumaram reunir-se ali para rezar e recordar o que lhes tinha ensinado e pedido. No século IV foi construída ao lado do Cenáculo uma igreja chamada Santa Sião que foi destruída pelos persas no ano 614; logo em seguida foi reconstruída, mas foi novamente destruída pelos muçulmanos. Mais tarde, os Cruzados construíram ali uma grande basílica em três planos, sendo que no plano superior ficava justamente a sala do Cenáculo e na sala inferior ficava o local onde Jesus lavou os pés dos Apóstolos. Quando os Franciscanos chegaram à Terra Santa, em 1335, a Basílica estava praticamente em ruínas, porque pertencia aos domínios dos muçulmanos. Com a intercessão do então rei de Nápoles, o Sultão do Egito, doou aos franciscanos a Basílica, que foi reconstruída.  Mas em 1524, os muçulmanos se apossaram novamente do local. s franciscanos foram obrigados a se retirarem e o local foi transformado numa Mesquita. Hoje, no entanto, é propriedade do Estado de Israel. No plano inferior existe uma sala onde os judeus veneram o túmulo do rei Davi; e na sala superior, os cristãos veneram o lugar da Santa Ceia, o Cenáculo.

8 Jerusalém: Maria da Dormição - Há muita lenda e muita interpretação errada sobre a vida de Maria de Nazaré, após a morte e ressurreição de Jesus. A verdade é que: aos pés da cruz, o apóstolo João, adolescente na época recebeu o encargo de cuidar de Maria. Inicialmente, ela morou num quartinho nos fundos do Cenáculo, no Monte Sião, em Jerusalém. Logo mais, João a levou para Éfeso, na Grécia. Alguns anos depois, João e Maria voltaram a Jerusalém. E ela continuou morando nos fundos do Cenáculo. Maria foi mãe de Jesus com mais ou menos 15 anos de idade; Jesus morreu com mais ou menos 35 anos de idade. Portanto, nessa época, Maria estava com a idade de mais ou menos 55 anos. Foi quando ela adoeceu; com febre, em seu leito, adormecia e acordava. Num dado momento, ela adormeceu. Porém, passado um quarto de hora, João e outras pessoas que a acompanhavam constataram que ela não respirava mais, não tinha pulsação cardíaca. Maria morreu. Sim, Maria morreu. Como a morte dela foi tão suave como se ela tivesse apenas adormecido, nunca se diz que Maria morreu, mas que ela adormeceu. No local onde ela morreu e foi velada, foi construída a Igreja da Dormição. No interior da Igreja, há uma cripta que mostra uma efígie de marfim, representando a Dormição de Maria.

8 Jerusalém: Túmulo de Maria - Maria morreu. Conforme o costume da época, foi embalsamada, envolta com o sudário de 4 metros e levada à sepultura. O túmulo de Maria está no Jardim das Oliveiras, no Vale do Cédron, ao lado da Basílica do Getsêmani e a poucos passos da Gruta dos Apóstolos. As sepulturas da época de Jesus sempre eram coletivas, com criptas para depositar vários defuntos. Para se chegar ao local onde o corpo de Maria foi depositado, é necessário descer 48 degraus. A atual Igreja do Túmulo de Maria foi construída pelos Cruzados; inicialmente, era custodiada pelos franciscanos, mas a partir de 1757, passou para o domínio dos gregos e armênios. Os sírios, coptas e etíopes também têm ali seus altares, e como é praxe, também os muçulmanos. A verdade atestada pela tradição é que: dois ou três dias depois do sepultamento de Maria, algumas pessoas foram ao túmulo para rezar. Entrando na sepultura, não encontraram mais o corpo de Maria; apenas encontraram o sudário e sentiram um forte perfume de rosas. Aí ficou interpretado que o corpo de Maria era sagrado demais para ser tragado pelos vermes da terra; tal qual Jesus ressuscitou, assumindo um corpo sobrenatural, Maria também foi ressuscitada por Deus. Jesus ressuscitado apareceu por várias vezes aos discípulos e apareceu a São Cristóvão, a Santo Antonio, a Santa Margarida Maria Alacoque... Maria ressuscitada apareceu em Fátima, em Lourdes, na Rua du Bac em Paris, em Medugorje...

8 Jerusalém: Igreja de Santa Ana - Os evangelhos apócrifos, isto é, aqueles que não foram incorporados à Bíblia, afirmam que os pais de Maria se chamavam Joaquim e Ana e moravam em Jerusalém. Por isso, no dia 26 de julho se comemora o dia dos avós, pois os avós de Jesus foram São Joaquim e Santa Ana. A casa deles ficava a poucos passos da Piscina de Betesda, ao lado da Porta de Santo Estêvão. Quando os cruzados foram expulsos de Jerusalém, deixaram atrás de si mais de 30 igrejas, construídas durante o tempo em que lá estiveram. A Igreja de Santa Ana, a mais conservada de todas, é um dos mais belos exemplos da arquitetura cruzada. Foi construída no ano de 1100 pela esposa de Balduíno I, num estilo romanesco. Está situada sobre uma cripta que é identificada como o local do nascimento de Maria. Depois da expulsão dos cruzados, Saladino fez da Igreja uma escola de teologia islâmica. Em 1856, depois da guerra da Criméia, o Sultão Abdul Majid entregou-a a Napoleão III como recompensa por sua ajuda durante a guerra. A igreja foi restaurada e confiada aos Padres Brancos.

8 Jerusalém: Piscina de Betesda - o achado arqueológico da piscina de Betesda fica a poucos metros da Porta de Santo Estêvão, dentro das muralhas de Jerusalém. Na época de Cristo devia estar situada fora da muralha norte da cidade, próxima da porta chamada "Probática" (das ovelhas), que conduzia ao Templo. Esse era o lugar onde ficavam os doentes; dizia-se que um anjo se banhava em suas águas e a primeira pessoa que descesse às águas depois do banho do anjo, ficava curada. Foi nessa piscina que Jesus curou um enfermo que sofria de paralisia havia 38 anos. A Piscina de Betesda ficou sepultada por escombros durante muitos sáculos e só recentemente foi descoberta e escavada. Nas escavações ficou comprovado que a piscina tinha uma forma retangular, 120 X 70 metros, com até 8 metros de profundidade. A piscina também era usada para a lavagem das ovelhas trazidas ao Templo para o sacrifício.

8 Jerusalém: Mosteiros - O peregrino que chega a Israel passa a se indagar se ele não poderia passar a residir nesta "Terra Santa". Essa indagação data de épocas anteriores a Cristo. Foi assim que em Israel foram surgindo muitos mosteiros. No vale de Wadi Kelt, no caminho de Jericó, está o mosteiro de São Jorge; diz-se que São Joaquim, pai de Maria de Nazaré, passou por ele. No alto do Monte Carmelo, junto à Gruta de Elias, está o Mosteiro Stella Maris. Encrustado num paredão de rocha ao lado de Jericó, o Mosteiro das Tentações, habitado por monges gregos ortodoxos. No deserto da Judéia, o mosteiro de São Sabas. Ao lado da Igreja das Bem-Aventuranças, um mosteiro feminino. Em Qumran, o mosteiro dos essênios. No Monte Tabor, um convento franciscano. Em Latroun, o mosteiro trapista. Ao pé do Monte Sinai, o Mosteiro de Santa Catarina. Em Jerusalém, vários mosteiros: Mosteiro Emanuel (beneditino), o Mosteiro da Santa Cruz, o mosteiro do Litóstrotos (Irmãs de Sion). Em muitos lugares citados pela Bíblia, os franciscanos moram em seus conventos, fazendo a custódia dos Lugares Santos. No Jardim das Oliveiras, há vários pequenos eremitérios, onde o peregrino, individualmente ou em grupo, pode passar uma temporada de vida monástica.

8 Emaús - Lucas descreve a caminhada de dois discípulos de Jerusalém a Emaús (Lc 24, 13-35), no dia da ressurreição de Jesus. Jesus se juntou a eles; porém, eles só o reconheceram quando Jesus partiu o pão. Os discípulos eram Cleofas e Simão. Ao lado das ruínas da casa de Cleofas, há uma igreja das mais bonitas e significativas. O peregrino que a visita, sente a presença do Cristo ressuscitado que se transubstancializa na Eucaristia. Ao lado da igreja, um bosque que convida à meditação. Porém, existe também uma versão de que os discípulos de Emaús reconheceram Jesus no local onde hoje se situa o Mosteiro Trapista de Latroun. Aliás, há vários lugares santos cuja localização é dupla ou duvidosa.

8 Poço de Jacó - Está no vale que se estende entre os Montes Garizim e Ebal. Pelo ano 1800 AC, Jacó se estabeleceu ali com a sua família e os rebanhos, ocasião em que cavou o poço. A boca do poço tem 2,5 metros de diâmetro; a fundura é de 30 metros. É nesse local que aconteceu o diálogo entre Jesus e a samaritana, descrito em João 4. No século IV já havia um capela junto ao poço; danificada na revolta samaritana, reconstruída por Justiniano, destruída pelos árabes, reconstruída pelos Cruzados, destruída em 1187 por Saladino, reconstruída pelos gregos ortodoxos em 1860. E em Hebron, hoje Cisjordânia, está a Gruta de Marpela, com os túmulos de Abraão, Sara, Isac, Rebeca, Jacó e Léa.

8 Túmulo de Raquel - Jacó, neto de Abraão, foi um grande patriarca. Teve duas esposas: Léa e Raquel. Léa gerou 6 filhos: Ruben, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zabulon. Raquel, 2 filhos: José e Benjamin. A escrava de Léa, Zelfa, também gerou 2 filhos a Abraão: Gad e Aser. Ainda, a escrava de Raquel, Balá, também gerou 2 filhos a Abraão: Dan e Neftali. Destes 12 filhos de Jacó se formaram as 12 tribos de Israel. Léa ainda teve a filha Dina, só que na cultura patriarcal, mulher ainda que famosa não era importante. Em Gn 35, 16-20 se descreve que Raquel morreu no parto de Benjamin, no caminho de Efrata, entre Jerusalém e Belém. Foi Jacó quem construiu o primeiro túmulo de Raquel. As mulheres judias sempre pedem a Deus a fertilidade junto ao túmulo de Raquel.

8 Túmulo de David - David foi rei de Israel de 1004 a 965 AC. Foi ele que conquistou Jerusalém, para fazer dela a capital do país. Para os judeus, o túmulo de David é lugar sagrado por excelência, o segundo depois do Muro das Lamentações. Em 1172, o rabino Benjamim de Tudela identificou o túmulo e atestou a sua veracidade. O túmulo é feito de pedra e está adornado com coroas de prata e com a torah; uma linda toalha cobre o túmulo, na qual há os desenhos da estrela de David de seis pontas, da harpa e do alaúde.

8 Knesset e Menorah - Knesset é o edifício do Parlamento de Israel. Menorah é o candelabro de 7 braços, símbolo do país de Israel. Os judeus foram dispersos pelo ano 70, com a destruição de Jerusalém pelos romanos. A pátria deles, a Palestina, passou a ser colônia de romanos, gregos, ingleses... No final da II Guerra Mundial, a ONU decretou que os judeus têm direito a uma pátria. Assim, em 1948, surgia o moderno país de Israel. A Knesset foi construída com as famosas pedras vermelhas de Jerusalém. O edifício foi financiado pela família Rothschild, da Inglaterra, e foi inaugurado em 1966. Os portões de entrada, de ferro forjado, são obra do famoso escultor israelense David Palombo. A Knesset é composta por 120 membros eleitos por sufrágio universal, tendo direito a voto todos os cidadãos maiores de 18 anos. As eleições realizam-se de quatro em quatro anos. A grande Menorah que se acha frente ao Parlamento foi doada pelo Parlamento Britânico e descreve diversas cenas da história judaica.

8 Museu da Bíblia - em Jerusalém, lugar de visita obrigatória é o Museu da Bíblia, também chamado de Santuário do Livro. O museu abriga os manuscritos encontrados nas grutas do Mar Morto (Qumran e Massada), as cartas de Bar Kochba e muitos objetos antigos. A curiosa linha arquitetônica desse pequeno museu evoca a forma das tampas dos potes de barro em que foram descobertos os pergaminhos do Mar Morto. A comunidade essênia de Qumran se considerava como os Filhos da Luz; e o resto do mundo, como os Filhos das Trevas. Por isso, o museu é todo branco, ladeado de mármore negro. O interior do museu é um túnel que simboliza uma caverna.

8 Haifa - Haifa, que no começo deste século não era mais do que uma pequena cidade de 10 mil pessoas, hoje é a terceira maior cidade de Israel, com 250 mil habitantes. Em Haifa está o mais importante porto marítimo do país e o centro de suas indústrias pesadas. Haifa está situada na mais bela baía do Mediterrâneo, frente ao Monte Carmelo, onde habitou o profeta Elias. A origem de Haifa é obscura. Seu nome apareceu pela primeira vez no século III na literatura talmúdica. Não está associada a nenhum acontecimento militar ou histórico de importância. Apesar de ser uma cidade pequena, Haifa foi ocupada sucessivamente pelos cruzados, árabes, turcos e ingleses. Ao visitar Haifa, em 1898, Teodor Herzl, fundador do Sionismo, prognosticou que a cidade cresceria e se converteria em centro industrial. Seus elogios atraíram milhares dos primeiros imigrantes e Haifa, é hoje, uma das mais importantes cidades de Israel. Haifa é o centro mundial da seita Bahai, cujos fiéis - cerca de 2 milhões - proclamam a fraternidade universal, a união de todas as religiões, uma linguagem mundial comum e consideram que todos os profetas foram enviados por Deus para pregar a mesma mensagem, sendo o mais recente deles, o chefe espiritual da seita Baha-Ulah. A seita Bahai começou na Pérsia, em 1844. O templo Bahai de Haifa é de uma arquitetura notável.

8 Acre - é uma das cidades mais antigas do mundo. É mencionada em Juízes 1, 31 com o nome de Aco, como a cidade da tribo de Aser, o que do ano 1100 AC. Foi dominada pelos cananeus, depois pelos fenícios, depois pelos gregos. Em Atos 21, 7 se descreve que o Apóstolo Paulo esteve em Acre, que nessa época tinha o nome de Ptolomaida. No tempo dos cruzados, Balduíno I ocupou a cidade e a transformou num baluarte do Reino Latino (1099-1291) na Palestina. Na época, era o porto de entrada para peregrinos e guerreiros. Depois da Batalha de Hittin, a cidade foi tomada pelos turcos de Saladino por dois anos; a glória dos cruzados (cristãos) foi retomar Acre, já que não conseguiram tomar Jerusalém. Porém, em 1291, o sultão El-Ashraf conquistou Acre, com a força de 200.000 soldados. Nos tempos mais recentes, até Napoleão tentou conquistar Acre. Ao todo, a cidade passou por 17 domínios estrangeiros. É uma cidade repleta de ruínas cruzadas e árabes, palco de muita luta e muito sangue. Hoje Acre é habitada por uma maioria de judeus, contando também com a presença de árabes e cristãos. Porém, a cidade é ofuscada pelo brilho de Haifa. Da época cruzada, Acre preserva a cripta de São João, sala de refeições dos Cavaleiros Hospitalários de São João. Da época turca, preserva-se a mesquita construída por El-Jazzar.

8 Cesaréia - uma pequena cidade fenícia chamada "Torre de Strato", na costa mediterrânea, foi transformada no ano 20 AC por Herodes Magno num dos maiores portos da Palestina. Os melhores arquitetos e engenheiros e os operários mais qualificados construíram, em 12 anos, uma das mais belas cidades da época: Cesaréia. A cidade recebeu o nome de Cesaréia em homenagem a Augusto César, amigo e protetor de Herodes. Havia palácios, edifícios públicos, praças, mercados, um templo de mármore, um anfiteatro e um hipódromo. Herodes construiu um porto artificial de águas profundas para que grandes embarcações pudessem atracar ali; enormes blocos de pedra foram baixados ao mar para formar um quebra-mar semi-circular. Depois da morte de Herodes, Cesaréia foi dominada pelos Romanos. Graças à sua beleza, passou a ser o lugar da residência oficial dos procuradores e durante 500 anos foi a capital da província romana. Pôncio Pilatos vivia em Cesaréia; dali ele foi para Jerusalém para passar a Páscoa, ocasião em que condenou Jesus a morrer na cruz. Também Filipe (At 8, 40), o diácono, viveu em Cesaréia; e São Paulo esteve preso ali por dois anos, quando se apresentou ante o rei Agripa (At 26) e os notáveis. No ano 60, ali Vespasiano foi proclamado imperador de Roma. No ano 66 irrompeu um tumulto entre judeus e sírios, ajudados pelos Romanos. Em seguida, o massacre de 20.000 judeus foi a causa imediata da grande rebelião judaica que culminou com a destruição de Jerusalém e do segundo templo, no ano 70. No século III, o conhecido estudioso cristão Orígenes fundou em Cesaréia um brilhante centro de estudos cristãos. A cidade passou para as mãos dos muçulmanos em 638 e os cruzados a ocuparam em 1102. Em 1252, o rei da França Luís IX circundou a cidade com fortificações e muralhas. Em 1291, Bibars devastou e destruiu completamente a cidade. Foi o fim de Cesaréia. Abandonada, a cidade foi sepultada pouco a pouco pelas dunas. Iniciadas em 1956, as escavações de Cesaréia confirmaram o esplendor da cidade na antigüidade. Do período romano, foi descoberto o anfiteatro, o aqueduto, o hipódromo e a pedra com o nome de Pôncio Pilatos. Dos cruzados, foram descobertas as muralhas, com suas portas e fossos de 10 metros de largura por 15 de fundura.

8 Telaviv - significa "Colina da Primavera". É a capital do Estado de Israel, cidade fundada em 1909, nas margens do Mar Mediterrâneo. Hoje é a maior cidade de Israel, com meio milhão de habitantes. Totalmente habitada por judeus, é o centro comercial, industrial e cultural do país. Abriga o aeroporto internacional Ben-Gurion. Historicamente, desde a dispersão dos judeus pelos Romanos no ano 70, os judeus não existiam como Estado até o final da II Guerra Mundial. O país de Isarel foi criado aos 14 de maio de 1948, por um decreto da ONU, ocasião em que David Ben-Gurion se tornou 1º Ministro; Israel já nasceu como um aliado dos Estados Unidos. Telaviv se tornou a capital, abrigando a maioria das embaixadas estrangeiras. Na Guerra dos Seis Dias, de 5 a 10 de junho de 1967, Israel anexou os territórios do Sinai, da Faixa de Gaza, da Cisjordânia, das Colinas de Golã na Síria, e da zona oriental de Jerusalém. Em 4 de novembro de 1995, logo após o encerramento de uma grande manifestação em favor da paz, em Telavive, o primeiro-ministro Yitzhak Rabin foi assassinado por um extremista da direita israelense, Yigal Amir, de 25 anos, pertencente ao Eyal (Força Judaica Combatente).

Os manuscritos do Mar Morto

Documentos retratam o ambiente dos judeus

 

Encontrados entre 1947 e 1956, em cavernas próximas às ruínas de um convento em Qumran, a 25 quilômetros de Jerusalém, os Manuscritos do Mar Morto contêm as mais antigas cópias conhecidas do Velho Testamento. Escritos num período que vai de 150 a.C a 70 d.C., os textos traduzidos até agora não fazem referência direta a Jesus, mas ajudam a entender o ambiente em que Cristo viveu, revelando uma fartura de informações sobre os judeus daqueles tempos.

São cerca de 900 pergaminhos, muitos deles apenas fragmentos, tidos como uma das maiores descobertas arqueológicas do século XX. A tese mais aceita pelos especialistas sustenta que os manuscritos foram escritos pelos essênios, que constituíam uma comunidade de vida religiosa da época. Temendo um ataque romano, eles teriam escondido os textos em vasos de cerâmica guardados em cavernas.

Os essênios eram escatológicos (pregavam permanentemente o fim dos tempos) e teriam voluntariamente se retirado para o deserto. Viviam em comunidade, em rigorosa observância da lei mosaica e sob uma disciplina severa. Qumran significa lua dupla, devido ao reflexo da lua no Mar Morto.

 

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